Postado em 26/2/2008 19:25 por Juliano Hanberbor
Personalidades do Proxxima 2008 - Advertising 2.0 por Mentor Muniz Neto

Nossa segunda entrevista foi feita com Mentor Muniz Neto, diretor de criação da Bullet. Das mídias convencionais às "social networks", Neto nos dá um panorama rápido e preciso sobre a publicidade do novo milênio. Conteúdo valioso para preparar os espectadores do seminário "Ad 2.0. O que Vale a Pena e Por quê?", no qual ele é o moderador.
Proxxima: Sabemos que as mídias digitais estão ganhando espaço a cada dia quando comparadas com as mídias convencionais. Qual é o ritmo desse processo de “migração”? Como você enxerga o a divisão dessas verbas daqui a dois anos?
Neto: A migração deixou de ser uma questão tecnológica. É humana. Estamos vivendo um período de transição, não com relação às mídias convencionais e digitais, mas com relação à profissionais convencionais e digitais. Apesar de real, de consistente, de presente nos planejamentos, as mídias 2.0 ainda são "empurradas" down-to-top. São ainda raras as lideranças nativas da era digital dentro de agências e clientes. Pior que isso, é que uma campanha que utiliza mídia digital, precisa ser concebida assim. E não apenas adaptada. Isso envolve ainda mais centros de decisão dentro de agências e clientes. Requer, muitas vezes uma mudança das estruturas internas. A chamada nova mídia digital [e incluo aí também o mobile] já está completamente madura. Mas para apostar e entender a penetração da BRogosfera, a blogosfera brasileira, uma das mais importantes do mundo, ou dos wikis, ou das social networks, ou mesmo do sms e do mobile, é preciso transitar por esses meios, é preciso interesse, é preciso conhecer os números. É um processo difícil de ser imposto, principalmente com o preconceito que a bolha gerou em alguns setores. Acredito que as verbas vão continuar migrando na mesma proporção que um enorme contingente de digital natives assumir posições de decisão. E não acredito que sejam necessários dois anos para que essa consolidação ocorra.
Proxxima: A Web2.0 é uma revolução na comunicação que coloca os usuários no centro do poder. Como uma agência de promoção como a Bullet encara a Web2.0? Quais as ações da Bullet presentes no universo Web2.0?
Neto: A Bullet deixou de ser uma agência de promoção. Também não somos uma agência de publicidade tradicional. Num passado distante, quando o consumidor era apenas espectador, a única relação possível de interação era via promoção. No ponto-de-venda se estabelecia uma relação one-to-one entre cliente/marca/produto/agência e o consumidor. A web e depois a web colaborativa, possibilitou que este contato se expandisse para além do momento da compra. Esse fato desafia as agências de publicidade tradicionais. Mas para a Bullet, é apenas uma ampliação de nossa área de atuação. Assim a agência se transformou. Hoje, o que fazemos é uma ponte entre a propaganda tradicional, a dos conceitos de produto, a das páginas duplas, a da televisão e o consumidor nas ruas, no celular, na web, e - porque não - nos pontos-de-venda. É por isso que atendemos a clientes mas também às agências. Um ótimo exemplo é o iPod no Palito Kibon. Não me refiro à mecânica em si, criada pela Bullet. Nem à campanha de comunicação da McCann. Mas sim à maneira com que essa ação, um mês antes do filme entrar no ar, foi viralizada pelos próprios consumidores. Através de uma ação simples de seed nos principais blogs, em poucas horas a promoção estava no radar dos consumidores que realmente importam. E mais. Em poucos dias, estava presente em blogs de todo o mundo, gerando uma exposição sem precedentes para a marca. É uma ilusão achar que ainda pode existir publicidade impositiva. O papel da agência de hoje é ser, criar e gerenciar histórias que sensibilizem as comunidades de usuários. Essa, no meu entender, é a grande revolução que estamos assistindo.
Dia 12 de Março das 11:00 às 12:00hs
"Ad. 2.0 - O Que Vale a Pena e Por Quê?"
Conheça esse e outros seminários do Proxxima 2008.







