Personalidades do Proxxima 2008 - Universo Geek por Maurício Mota

Ainda informando sobre o seminário "O mundo é dos geeks", Maurício Mota, publicitário, com especialização em Indústria do Entretenimento, fala sobre inúmeras questões contemporâneas no que concerne inovação, convergência de mídia entre outros assuntos do mundo geek. Entrevista obrigatória para os geeks e aspirantes a geeks.
Proxxima - Dentro dos universos: Mobile, Games e Telecom. Há um sentido de convergência entre essas tecnologias. Entretanto, como a propaganda se relacionará com esses meios?
Maurício - O mais importante é que cheguemos (nós no mercado) a um acordo no que diz respeito à convergência. Quem converge é o consumidor e não a tecnologias. E aí muita gente que defende as mídias digitais e faz coisas incríveis com elas acaba planejando e criando campanhas com tecnologias convergentes mas se esquecendo de como fazer o público-alvo entrar nesse emaranhado.
A propaganda em geral ainda não se relaciona com esses meios. Ela compra pacotes de atenção e tempo nesses meios. Ponto. E se, e somente se, o consumidor achar que é pertinente ele convergence com a história proposta. Mas se pensássemos em convergir as marcas e suas histórias com o consumidor, incluir as mídias seria um mero detalhe e sobre o qual as agências fariam um ótimo trabalho pois dominam esse expertise.
Proxxima - Na sua opinião, as agências estão sabendo tirar proveito desses "espaços alternativos" de mídia? Se sim, conte-nos alguns casos interessantes.
Maurício - As agências lá fora estão fazendo coisas bastante consistentes para clientes grandes em mobile e games, mas a luta é grande ainda pois o budget é o mesmo e muitas vezes elas precisam tirar da verba de Internet. Mas aqui no Brasil não teve nada muito incrível e inovador usando celular ou game. Mas vamos chegar lá.
Estive em São Francisco em janeiro para um congresso de Mobile Advertising e havia cases bons para clientes como Diageo, Nike e canais a cabo. Mas a questão ainda é a inconsistência de conceitos e que me fez lembrar o que muitos passaram no início da Internet. Não havia métrica confiável, havia milhões de soluções milagrosas e que iam mudar o cenário de negócios. E demoramos dez anos para conquistar o espaço que a internet tem hoje.
Portanto, acho que as agências no Brasil ainda estão "sentindo o pulso" dessas ferramentas mas não dominam tudo que elas podem fazer e nem até onde dá para utilizá-las em campanhas. E ao mesmo tempo tem muito fornecedor - de mobile, por exemplo - que oferece uma gama de coisas incríveis mas esquece de avisar que muitas delas dependem de uma aprovação de 60 dias na operadora.
O mais importante agora é sentar com quem entende do traçado nesses novos meios e saber brifá-los para não termos problemas de expectativa ou entrega.
Proxxima - Empresas que fazem games já têm explorado espaços publicitários (out-doors digitais) nos mundos virtuais. Essa é uma tendência irreversível? Na sua opinião, de que maneira a propaganda tende a evoluir em um ambiente dinâmico e interativo?
Maurício - Acredito mais numa marca e sua agência criando conteúdos para games do que simplesmente uma aplicação de mídia tradicional num ambiente dinâmico.
Quando a Nissan faz anúncios em forma de quadrinhos e os publica nas revistas interativas de Heroes e viabiliza que elas sejam gratuitas temos um case completo. Pois tem-se aí branding, advertising, interatividade, venda de produto e criação de um serviço útil (e viciante) para o público. E o fato de a revistinha ter se tornado a mais lida da história mundial é somente mais um fator que comprova a importância de criarmos um conteúdo ou viabilizá-lo.
Proxxima - No Japão os celulares com multimídia são uma febre. Pedestres assistem vídeo com áudio em seus aparelhos... No Brasil isso começa a acontecer. Estamos muito longe do Japão e dos EUA nesse sentido? O "boom" dos celulares nos países emergentes como o Brasil colocou-nos próximos dos mais industrializados?
Maurício - Estamos muito longe do Japão com certeza. O mercado norte-americano é cheio de confusões, vários padrôes e as operadoras atrapalham mais do que ajudam. Aqui no Brasil elas estão pelo menos com gente competente querendo conversar, mesmo não sabendo o que fazer. Um livro feito para celular no Japão alcançou o topo da lista de mais vendido quando foi para a versão impressa. E isso nos mostra o quê? Que a questão não é tecnológica e sim de dominar e se entender como a tecnologia é utilizada pelo consumidor. Depois fica mais fácil de inovar. Outro dia estava num shopping no Rio e um anúncio enorme me dizia para ligar meu Bluetooth e esperar uma surpresa. Depois de seis minutos nada aconteceu e eu fui embora. Imagine a adolescente que era o alvo?
Proxxima - Sobre as ferramentas de microblog e o fato de se poder blogar via SMS dos celulares. Como isso poderá transformar a vida das pessoas? Estamos caminhando para uma sociedade em que todos têm acesso ao cotidiano de todos?
Maurício - O acesso intermitente ao cotidiano já mudou a vida das pessoas. Acho que o mais importante é que nunca tivemos tanta ferramenta para encontrar talentos e para criar serviços inovadores a partir dessa experiência do indíviduo comum com as tecnologias. E podem ser serviços e produtos inovadores tanto para a publicidade quanto para a sociedade, como o envio de notícias feitas pelo leitor para o plantão dos principais jornais do país e do mundo.
Dia 12 de Março das 16:00 às 15:00hs
"O mundo é dos geeks"
Conheça esse e outros seminários do Proxxima 2008.







